O padrão é sempre o mesmo. A obra termina, o fotógrafo entrega as fotos, e você publica duas semanas seguidas. Depois o próximo projeto está em estudo preliminar, não há nada bonito para mostrar, e você para de publicar até a próxima entrega.
Quem começou a seguir você naquelas duas semanas para de ver as suas publicações. Quando você volta com o projeto seguinte, recomeça a conversa com um público que mal lembra quem você é.
A rotina não pode depender da obra pronta
Projeto terminado é o que convence alguém a te chamar. É também a coisa mais rara que você tem. Se a sua frequência depende dele, você publica em rajada e fica meses sem publicar, e é justamente nesses meses que alguém está escolhendo um arquiteto.
A rotina precisa andar com o que você tem toda semana: desenho, decisão, visita de obra, amostra de material na mesa, o motivo de ter escolhido uma solução em vez de outra. Esse material existe o tempo todo. Só não parece conteúdo, porque para você é terça-feira.
Os quatro tipos de post que preenchem um ano
| Tipo | De onde sai | Com que frequência você tem |
|---|---|---|
| Obra pronta | Fotos profissionais de um projeto entregue | Quando uma obra termina |
| Processo | Croqui, maquete, foto de obra feita no celular, amostra de revestimento | Toda semana |
| Explicar uma decisão | Por que a janela ficou ali, por que o pé-direito mudou, o que o cliente pediu e o que você propôs | Toda semana |
| Responder a pergunta de sempre | Como você cobra honorários, prazo, aprovação na prefeitura, se a pessoa precisa mesmo de um arquiteto | Sempre que uma conversa termina |
Os dois últimos são os que mais se parecem com a conversa que você tem com o cliente. Uma decisão parece conversa, uma foto parece portfólio, e o portfólio dá menos medo de postar. É a conversa que faz alguém confiar o suficiente para te mandar uma mensagem.
Um exemplo real vem da base de referência de carrosséis que a ZapPost montou em agosto de 2026. A @arquitetamariafernanda transformou em post as perguntas que recebia sobre um projeto: "Recebi muitas perguntas sobre esse projeto, então resolvi trazer algumas das especificações que vocês mais me pediram", com os MDFs usados na marcenaria. O post, de 12/11/2025, teve 663 curtidas e 20 comentários.
Se você quer uma lista para começar hoje, temos uma para a sua profissão: o que postar no Instagram sendo arquiteto, com 20 ideias e um plano de 7 dias.
O que publicar quando você não pode mostrar o projeto
Casa de família, escritório em obra, cliente que não quer o endereço na internet. Boa parte do seu trabalho é reservado, e essa é a razão honesta de tanto arquiteto parar de publicar.
- Mostre o detalhe, não o endereço. Um encontro de escada, um corrimão, o requadro de uma janela. Ninguém identifica uma casa por um detalhe de canto, e detalhe é o que as pessoas salvam.
- Mostre o desenho no lugar do prédio. Uma planta, um corte, um croqui no papel manteiga. É trabalho seu e não mostra a casa de ninguém.
- Mostre o problema, não o cliente. Um terreno em declive, uma orientação solar ruim, um quarto com uma janela só. Conte o que você fez a respeito sem dizer quem mora ali.
- Peça a autorização por escrito, no começo. O guia de mídias sociais do CAU/BR pede consentimento formal do cliente para divulgar o projeto no espaço dele, a não ser que isso já esteja no contrato, com base na regra 3.2.15 do Código de Ética do CAU. Uma cláusula no contrato resolve isso no início, e o cliente pode autorizar a foto sem o endereço.
Um teste rápido para qualquer post: um cliente em potencial leria e entenderia alguma coisa que não sabia antes? Se o post só diz que o projeto ficou bonito, ele é uma imagem de portfólio. Imagem de portfólio pode ficar, e ela sozinha não faz ninguém te mandar mensagem.
O que o CAU pede quando você divulga um trabalho
- Seu nome, registro e o que você fez. Na divulgação de projeto, obra ou serviço, a Resolução CAU/BR 75/2014 (art. 11) pede o responsável técnico, o título profissional, o número de registro no CAU e a atividade feita. O guia de mídias sociais do CAU/BR aplica isso às redes e pede também a cidade e o estado da obra.
- Preço, só para quem pediu. O Código de Ética manda propor honorários apenas quando alguém pede os seus serviços (regra 5.2.3), e o guia do CAU/BR pede para não divulgar preço nas redes sem pedido do interessado. Dá para explicar como a cobrança funciona sem pôr valor no post.
- Projeto dos outros, sempre com a autoria. O Código proíbe assumir a autoria de trabalho que você não fez (regra 3.2.9), e o CAU/PB orienta indicar a autoria ao postar projeto de terceiros como inspiração. Em trabalho feito com outros profissionais, o guia do CAU/BR pede para deixar claro o que foi seu.
Com que frequência publicar, e o que fazer no mês corrido
Para um escritório do seu tamanho, constância rende mais que volume. Quem está decidindo o arquiteto abre o seu perfil, rola a página e repara se você está trabalhando. Um perfil com um post por semana durante um ano mostra um escritório em atividade. Um perfil com uma rajada de posts em março e nada depois mostra um escritório que parou.
O difícil não é o mês parado. É o mês em que você está tocando obra, correndo atrás de aprovação e respondendo cliente às dez da noite. É esse o mês em que você deixa de publicar, e é a pior hora, porque a única coisa mostrando o seu trabalho naquele mês é o que você postou três semanas antes.
Duas coisas ajudam mais que qualquer calendário:
- Filme enquanto já está na obra. Dez segundos de vídeo na hora de ir embora. Você já está lá, e nunca vai voltar só para gravar.
- Escreva a legenda no dia da decisão. O raciocínio por trás de uma escolha está claro no dia em que você a toma e fica vago três meses depois.
Um vídeo curto explica um espaço melhor que uma foto, porque a pessoa vê como os cômodos se ligam.
Se você ainda está decidindo quantos posts por mês consegue manter, veja com que frequência postar no Instagram para crescer.
Como o contato chega de verdade
Quase ninguém comenta em um post de arquitetura pedindo orçamento. O que acontece é mais silencioso. A pessoa salva três publicações suas ao longo de um mês, mostra para quem mora com ela, volta ao seu perfil quando a reforma vira decisão, e te escreve no direct.
Isso muda o que vale a pena cuidar. A sua bio precisa dizer o que você faz e em que cidade atende, porque quem chega por um post salvo não tem nenhuma outra referência. As suas últimas nove publicações precisam mostrar o tipo de projeto que você quer receber mais. E as mensagens precisam de resposta, porque é nessa conversa que o trabalho é fechado.
A cara dessas nove publicações lado a lado merece uma decisão só dela, e falamos disso em como a identidade visual no Instagram ajuda a ganhar seguidores.
Onde isso te deixa
Monte a rotina em cima do trabalho que você faz toda semana, guarde a obra pronta para quando ela chegar, e responda toda mensagem no direct. Essa é uma estratégia que você consegue manter em mês corrido, que é o único tipo que vale a pena ter.
O ZapPost entrega carrossel, roteiro de Reels e legenda prontos. Sem escrever pedido, sem Canva, sem ferramenta nova para aprender. Você revisa e publica.
Perguntas frequentes
Posso publicar projeto de outro arquiteto como referência?
De vez em quando, sempre com crédito. O risco é as pessoas passarem a te seguir pelas imagens que estão juntando e esquecerem que o escritório é seu. Quem vai contratar um arquiteto quer ver como você pensa, e isso só aparece no seu próprio trabalho.
Preciso de fotógrafo profissional em todo projeto?
Na obra entregue, as fotos valem o investimento, e são elas que vão para o seu site e para os prêmios. O resto sai do celular. Foto de processo pode parecer processo mesmo.
Meu público tem que ser cliente, ou tudo bem outros arquitetos me seguirem?
Outros arquitetos vão te seguir e isso é útil, porque indicação entre escritórios é comum. Só escreva para o cliente. Quando a legenda assume vocabulário técnico, quem está planejando uma reforma para de ler.
Vale a pena o Instagram se os meus clientes vêm de indicação?
Quem chega por indicação procura você na internet antes de ligar. Um perfil com trabalho recente confirma o que disseram. Uma conta parada há dois anos faz a pessoa se perguntar se você ainda está atendendo.